terça-feira, 29 de outubro de 2019

O primeiro livro

O primeiro livro que eu li, foi algo mágico um momento que já mais esquecerei na vida, pois não foi uma obra consagrada, mas um livro infanto juvenil, que pela sua simplicidade e uma história cativante me colocou no caminho da leitura de livros, agradeço Lúcia Machado de Almeida por isso e sua obra "O Caso da Borboleta Atíria, e vai um poema para relembrar esse dia.

 
O primeiro livro

Lembro desse dia
Onde o claro deu lugar
A breve penumbra
Mas de breve nada tinha
Pois...
 A TV nem imagem aparecia
O radio estava mudo
Nem canto também não tinha
A eletricidade os deixara
Brincar na rua...
Também não podia
Pois o sol
Já se escondia
A infância se retrai
Na luz inflamada da vela
O perdido olhar busca
Um caminho...
Na estante empoeirada
Havia um pequeno livro
De aspecto enrugado e desgastado
Sem pensar eu pego
Diante da luz eu leio
A cada frase...
Um novo passo
A cada capitulo...
Abre uma nova porta
A cada ilustração...
Um novo encanto
A magia dura do entardecer
Até a noite branda
A eletricidade retorna
O som e a imagem
Cortam o silêncio
O olhar insiste na estante
Que abriu um novo mundo
Que parecia um baú trancado e distante
Agora cheio de mistério, aventura e vibrante
Aquele primeiro livro terminou
Mas a pequena Atíria...
Voa nesse novo universo
De leitura e fantasia

domingo, 27 de outubro de 2019

Guarulhos, onde...

Não sinto vontade de falar sobre política, talvez seja o atual momento da política brasileira, "que nem fede e nem cheira", assim como a cidade de Guarulhos ao qual resido, não apoio partido político nenhum, mas me sinto no dever de refletir sobre isso, nem que seja através de uma poesia.


Guarulhos, onde...

A estrada vai para Guarulhos
A estrada sai de Guarulhos
Penso...
Para aonde eu vou
A estrada é...
Do Presidente
Ou...
Do Bandeirante
Eu só sei que muitos vão
E poucos voltam
As chaminés apontavam
Para o céu
O hino só não nos preparou
Para o século vinte um
A estrada leva ao cemitério
Onde diz...
Aluga-se
Vende-se
A estrada está exuberante e cheia
Quanto às chaminés viraram pó
Sobraram apenas memórias
O Índio que abriu a estrada
Pouco se sabe
Eu só sei que nasci
Nessa bela cidade
De belas pessoas e lugares
Onde dos políticos...
Só sobrou
A bendita da vaidade.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O calor literário


Na data de 19/10/2019 ocorreu a entrega do Prêmio Guarulhos de Literatura, em homenagem em eu escrevi esse pequeno poema.


O calor literário

Quente destruidor do tempo
Música cortando o espaço
O dia entalhado nas páginas
As letras enchem o pulmão
Estão encharcadas nas lágrimas
No mais íntimo dos sentimentos
Esculpidas nas frases, prosas e poesias
Um curto-circuito de emoções
O vômito jorra palavras
Que inundam o ambiente
O prêmio sorri para o autor
A vitória não discrimina
Venceu quem escreveu
Conquistou quem leu
A rima não basta
A prosa não desatina
E o autor escreve até...
Terminar a tinta
Não, mas já avisa
A escrita sempre reinicia...


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Uma história...


Uma história...

Conta à história que havia um ser perdido, e quanto mais procurava o seu destino mais longe ficava, caminhava tanto para a direita quanto para esquerda, e mesmo indo em frente sem desviar voltava ao ponto inicial, quanto mais rápido se deslocava mais breve retornava ao início.
Já cansado e também angustiado de sua procura frustrada, caminhou até um tronco de arvore, e se sentou, quando estava quase aos prantos escutou um barulho, ao observar viu um pássaro que depois de um voo rasante voltava ao céu, então o ser percebeu que a céu ainda estava cinza com a névoa da manhã.
Ele observou que havia mais pássaros, e começou a olhar ao seu redor e encontrou plantas e animais, e enormes arvores que ao mesmo tempo  escondiam e embelezavam aquele lugar, já entusiasmado com o que encontrara começou a refletir como estava enganado, pois não estava sozinho e a sua pressa o havia privado de admirar todas as coisas que estavam em seu caminho.
Nas suas descobertas encontrou duas grandes árvores que entre elas começava um caminho que o ser ainda não tinha visto, então ele se levantou caminhou até elas e observou que o caminho atravessava toda a região, e ao recomeçar a sua jornada resolveu andar lentamente observando cada detalhe daquele mundo que o cercava ao olhar para frente viu o sol nascer que fazia brilhar a vegetação, e o ser abriu um grande sorriso e disse:
— Bom dia vida!

Carlos Alberto C. Pereira